sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Comunidades Virtuais de Aprendizagem

Guilherme Ost Mergen
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Inserido no contexto atual, o processo de educação efetiva-se em meio a um cenário de novas tecnologias, geradoras de conceitos como saber flexível, aprendizagem cooperativa, interdisciplinaridade, redes de aprendizagem, aprendizado à distância, entre outros. Assim, o desenvolvimento de novas relações sociais, propiciadas justamente a partir dessa evolução dos meios, culmina na necessidade de elaboração de novos processos educativos, adaptados a essa nova realidade.

No artigo ‘Comunidades Virtuais de Aprendizagem’, os professores Carlos Henrique Medeiros de Souza (UFRJ) e Maria Lúcia Moreira Gomes (CEFET) defendem que as tecnologias de informação e da comunicação, especialmente o ciberespaço, adquirem importância fundamental sob o ponto de vista das demandas para uma educação na atualidade. Tanto as novas tecnologias como os conceitos surgidos a partir delas, inserem-se cada vez mais nos ambientes acadêmicos e políticos, principalmente quando a pauta em discussão é a necessidade da renovação dos processos educacionais.

Nesse contexto, os pesquisadores apontam para uma urgente adaptação dos dispositivos e do aparato do aprendizado aberto e à distância e a criação de um novo estilo de pedagogia, capaz de incorporar as novas tecnologias e favorecer os aprendizados individualizado e coletivo. Assim, o uso de novas tecnológicas de informação e comunicação (NTIC) reivindica a construção de um modelo pedagógico que dê suporte à implantação de projetos possíveis justamente a partir dessas novidades.

Além de ampliar as possibilidades do ensino à distância, para os autores, o emprego das NTIC, em um futuro não muito distante, fará com que sua utilização supere a presença física em sala de aula. Isso porque as possibilidades de utilização das novas tecnologias da comunicação em projetos educacionais à distância a partir da interconexão pelo universo on-line são consideradas ilimitadas. Deste modo, Souza e Maria Gomes defendem que o uso da Web como suporte tecnológico, assim como a constituição de comunidades de trabalho/aprendizagem em rede é importante principalmente por potencializar o acesso ao conhecimento.

Se essa adoção implica mudança significativa no método educacional, por conseqüência, redimensiona o papel do professor. Portanto, frente ao uso das novas tecnologias, a função do docente avança não no sentido de seu descarte, mas da transcendência de mero transmissor de conteúdos para sua transformação em facilitador e estimulador do processo de aprendizagem. Por conseguinte, na opinião dos autores, a incorporação de novas tecnologias a projetos educacionais à distância suportam duas possibilidades de leitura: a potencialização do acesso à informação e ampliação das possibilidades de interação, colaboração e autonomia do aprendiz.
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*Guilherme Ost Mergen é aluno formando do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Os meios de comunicação: um problema para a Educação à Distância

Elizamar Spielmann

A cada ano a Educação à Distância (EaD) vem ganhando espaço no Brasil numa proposta de “democratizar” a educação. Nesse espaço, os meios de comunicação surgem como aliados, sendo os processos condutores dessa educação, que tem por objetivo aproximar professor/ aluno, mesmo a longas distâncias e sob diferentes realidades sociais.

A EaD vem sendo discutida como uma solução para a universalização da educação, através da educação ao alcance de todos. Mas fica a dúvida: educação universalizada para que? E de tipo de educação estamos falando?

Há uma necessidade crescente do aumento do nível de qualificação básica para o mundo do trabalho. Nesse contexto, a EaD é considerada como uma solução inadiável para suprir essa demanda, se apresentando como uma solução rápida e econômica. Ela contenta aos parâmetros da “indústria da educação” que mais se preocupa com a produtividade do ensino e não exatamente com a qualidade. A educação se torna um produto comum do mercado, com seus clientes e seus públicos alvos e, como uma mercadoria, passa a ser vendida livremente, sendo que seu custo passa a valer mais do que a qualidade.

A EaD separa em dois pólos a educação: de um lado o professor (emissor) de outro o aluno (receptor) da mensagem. Essa relação de certa forma autoritária, coloca o emissor como o “sabe tudo” e o receptor como um objeto que “não sabe nada” e a tudo tende a aprender. Incoerente e menosprezando a bagagem individual de cada ser humano, essa educação limita o educando na sua expressão.

Como uma produção industrial de ensino, a produção de materiais didáticos é centralizada, enquanto sua distribuição é feita em larga escala, através de uma padronizada divisão do trabalho, entre equipes de professores que produzem os materiais pedagógicos, técnicos que operacionalizam as máquinas e os tutores que cuidam da recepção e repassam aos alunos.

Um exemplo que comprova esse tipo de educação é o conhecido Telecurso 2000, transmitido pela Rede Globo de Televisão para todo país. O programa lançado em 1995, ainda está em amplo processo de expansão, especialmente no Norte e Nordeste do país. O programa difundido pela rede de televisão de maior abrangência no território e apoiado em esquemas políticos, vem, na verdade para preencher lacunas históricas da educação no país, criado, na verdade, pela ausência de um suporte governamental adequado. Assim é muito fácil e barato para o governo investir numa educação “televisionada” que abrangerá um grande número de pessoas, sendo muito mais simples atribuir o descaso pelo ensino ao desinteresse do aluno. “A educação é oferecida em sua própria casa. A preguiça é a culpada por não lhe permitir acordar naquela “prazerosa” hora da manhã para ‘consumir’ educação”.

Uma das incoerências de ensino mercadológico é, que se hoje o mercado exige profissionais mais participativos, que possam interagir com os diversos setores da empresa, como pode essa “educação de mercado”, limitar dessa maneira seus consumidores?

A formação de professores também é outra área a se explorada pela EaD. A Câmara dos Deputados lançou no ano de 2002 o programa Pró-Docência – Programa de Qualificação Docente, que pretendia “transformar 80 anos em 5”. Assim a EaD poderia “qualificar” um grandioso número de professores para ministrarem aulas, universalizando novamente a educação, e conquistando vôos maiores, com a universalização também do ensino pedagógico Esse discurso, novamente mercadológico, vai de encontro aos métodos de trabalho do Banco Mundial (BIRD), que oferece serviços à distância, há baixo custo e em cursos mais rápidos.

A EaD não pode ser encarada como uma simples solução tecnológica para os problemas de educação historicamente enfrentados em nosso país. Pode sim, servir como uma alternativa didática, mas nunca como um padrão educacional a determinar o ensino de todo um país, com as diferenças culturais e necessidades locais de cada região. Não basta falar em educação é preciso fazer com que de fato, ela exista.
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* Elizamar Spielmann é aluna formanda do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A Educomunicação nas Práticas Escolares

Elizamar Spielmann*

Já não é de hoje a preocupação em se estabelecer uma análise entre a comunicação e educação e a necessidade dessa parceria se instalar nas práticas escolares. Hoje, o mundo vive uma aceleração revolução tecnológica, a máquina se impõe ao homem como um aliado, quase mais importante que ele próprio, e essa convivência não pode passar despercebida pela prática pedagógica. O que se vê, desde os anos iniciais de aprendizagem é um distanciamento entre o que se ensina e o que se vive.

Quando passamos pela porta da sala de aula, deixamos pra trás os giz, as carteiras e professores treinados pelos anos, para nos conectarmos a um mundo de ships, celulares, ondas eletromagnéticas, internet, rádio, televisão e quando nos damos conta, parece que aquelas quatro horas em sala de aula, são como quatro horas enclausurados num mundo distante, em que num esforço quase sobrenatural, o aluno procura imaginar o que lhe é ensinado e nesse curto espaço de tempo ainda precisa encontrar um fio de motivação para continuar aquela “promissora” jornada estudantil que se estenderá por mais de uma década.

Agora pense: de um ano para outro, nosso ambiente se transforma completamente, emocionamo-nos com um aparelho telefônico que podemos levar para onde formos e falarmos com quem quisermos em qualquer parte do mundo, sem fio, para no outro ano, já utilizarmos esse mesmo aparelho para tirar fotos, escutar rádio, mandar e-mail e até comprar produtos sem precisarmos ir até à loja. Analise: a criança entra na 5º série do Ensino Fundamental tendo a mesma didática que teve na 1ª série de primário. E aí: passaram-se 5 anos, o mundo muda, tudo muda, a tecnologia já cansou de inovar, a comunicação não mais domina, mas invade os domicílios e o estudante lá: na mesmo quadro negro, ou verde, nas melhor da hipóteses, branco e com canetão, ouvindo o velho professor, aquele que já tem um texto decorado pela experiência dos anos, lhe ditar textos que talvez sejam daquele livro de dez anos atrás, quem sabe mais. E o estudante ainda tem de ouvir as mesmas repreensões: nota baixa (falta de estudo), ausência na aula (preguiça) e opinião contrária (má criação).

A Escola está se tornando em pleno século XXI um mero símbolo de educação. De fato, crianças, jovens e adultos são ensinados pela indústria cultural. Detalhe: essa educação vem de maneira tão sutil, tão confortável que absorção também é tão simples, tão rápida e sem esforço que a gente nem percebe. Podemos aprender no nosso doce lar, sentados no sofá, comendo chocolate com coca-cola. Podemos aprender enquanto acessamos nosso MSN e até durante uma olhadinha no Orkut. Podemos aprender enquanto damos nossa tradicional caminhada de fim de tarde através de nosso MP3 ou MP4 e até quando vamos fazer compras e nos atraímos por aquela linda imagem, naquele enorme outdoor. Aprendemos naquela conversa informal, com o nosso amigo comentando sobre aquela cena de novela que rimos muito. Aprendemos quase no mesmo ritmo de que respiramos e nem vemos, nem sentimos, só quando somos espetados por algo que afeta nossa vida e que reflete na educação que tivemos.

Se aprendemos tão bem fora da sala de aula e tão mais facilmente, qual a função da escola então? Por nada ela virou motivo de pânico, sacrifício e alienação. Culpados? A didática certamente. E quem ministra as didáticas? Professores. Como exigir uma pedagogia diferente da aprendida? Preparando melhor, inovando também na formação docente. O que se vê é o retrato de uma educação que já atravessa décadas e até séculos e uma imperiosa necessidade de continuar no erro. Olhos fechados que seguem um trilho. Medo? Falta de estímulo? Preguiça? Despreparo? A causa é desconhecida, no entanto, as conseqüências, além de conhecidas, são desesperadoras.

E a família, onde entra nisso tudo? Há anos-luz da criança. A palavra família tem um peso, que só na pronúncia já tem embutido um engasgo de responsabilidade. A pergunta é? E famílias são de fatos “Famílias”? Existem Famílias”? O peso, se esvazia quando se desmembra a palavra da prática. Como esperar dela, nesse atual momento àquela “base de berço” à criança? A responsabilidade é jogada toda, na tradicional e anacrônica escola, que além de não ter a obrigação de assim fazer, também não dispõe de estrutura para que isso aconteça. E lá vai a escola assumir os vários papéis que lhe são demandados, se virando, se revirando dentro da estrutura que dispõe e a prática pedagógica fica em segundo plano. Não é pensada, não é discutida, não é trabalhada. E o videogame, substitui o quadro negro, a internet vira mestra por excelência e o rádio desprezado se perde num mero informante, enquanto a televisão, professora de berço, que não impõe limites, é desprezada pela pedagogia, mas não tem seu botão desligado dentro da casa de cada criança. Como desprezar, como anulá-la se seu alcance é exemplo de uma comunicação que ensina. Que ensina muito mais do que as horas enclausuradas dentro daquele ambiente entre quatro paredes, em que o tempo parece se multiplicar e não tem jeito de passar. E um novo século vem.......

* Elizamar Spielmann é aluna formanda do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Reaprendendo a ler para ensinar a pensar
Leandro Becker*

A maioria das pessoas aprende a ler quando criança. Conhece as letras, forma sílabas e descobre as palavras. A partir disso, passa a ver o mundo sob uma ótica diferente. Tudo ganha significado e a vida ganha um novo rumo. Mais que a inserção social, a alfabetização intensifica o contato diário com os meios de comunicação e, potencialmente, permite a compreensão de uma realidade mais ampla. Nessas horas, mais que ler, é preciso interpretar e pensar.

O problema é que muitas pessoas aprendem apenas a ler, não a entender. Por isso, é preciso inserir o mundo na sala de aula desde cedo. Logo, surge a figura do jornal na escola, como aponta a jornalista e mestre em Educação Rosana Viana Gaia no artigo “Notícias na escola: possibilidades de leituras críticas”.

Segundo ela, é necessário refletir sobre as possibilidades pedagógicas do uso das notícias no cotidiano escolar e pensar sobre a atuação do jornalista na educação. Conforme a autora, a leitura crítica pode contribuir na formação de cidadãos participativos, porém, o professor deve manter o foco no ser humano e não na tecnologia.

Estimular o aluno a despertar o senso crítico é um desafio constante, afinal, o modo de vida, a cultura e a história pessoal de cada um afeta a maneira de ler ou interpretar determinada informação. Diante disso, o educador não pode agir apenas como um informante, mas sim como um organizador do conhecimento.

Para chegar a este nível, no entanto, é preciso estrutura e estudo. Ambos mal existem nas escolas particulares, quem dera nas públicas. Outra questão é como preparar o professor para analisar criticamente os meios de comunicação e gerir uma discussão profunda sobre os discursos e o impacto das informações na sociedade. Pode sobrar vontade, mas faltam condições.

É claro que os professores precisam se atualizar continuamente para se tornarem aptos a interpretar com e não somente para os alunos. Apesar disso, deve ser considerado que os educadores, em sua maioria, trabalham em mais de uma escola, possuem mais de uma turma e, impreterivelmente, têm pouco tempo para se dedicarem a leituras complementares e aprofundarem o conhecimento teórico.

Uma das formas apontadas por Gaia para aproximar educadores e alunos dos meios de comunicação é a criação de um jornal escolar. Para ela, neste processo é fundamental que os alunos entendam que o sucesso do projeto depende do trabalho em equipe. A autora também reflete sobre a intenção das empresas jornalísticas ao estimularem o uso do jornal em sala de aula. Seria um trabalho voltado à cidadania ou uma estratégia de marketing?

É claro que as empresas visam formar novos leitores, tanto para que as pessoas conheçam e reflitam sobre o mundo como para que sejam futuros clientes. Por outro lado, ao permitirem o acesso dos jovens ao jornal, as empresas fazem sobressair o papel educativo ao comercial, a partir do momento em que incitam o senso crítico e rechaçam a alienação completa do que acontece no mundo.

Por outro lado, é preciso considerar que o consumo de notícias tem interferência direta do poder aquisitivo, incluindo o vínculo dos anunciantes com os jornais e a influência política e econômica na forma de fazer jornalismo, o que é prejudicial e afeta a busca pela tão almejada imparcialidade.

Diante dessas questões tão pontuais em uma sociedade onde a informação circula cada vez mais rápida, Gaia ressalta que, ao usar o jornal, o professor trabalhar com um recorte da realidade. Por isso, todo cuidado é pouco. Como diz Paulo Freire, a única forma de não tropeçar na compreensão dos fatos é evitar estar na frente da TV em estado de completo relaxamento. Mais que isso, é preciso estimular a reflexão e despertar o senso crítico, ou seja, fazer com que os cidadãos revejam o modo como lêem o mundo e, principalmente, aprendam a pensar.

*Leandro Becker é aluno formando do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Jornalismo x entretenimento: uma questão para mídia-educação

Mateus Rodighero*
A dificuldade em se estabelecer uma fronteira nítida entre o que é jornalismo e o que é entretenimento na televisão é uma das discussões mais freqüentes no campo da comunicação. No entanto, quando ficamos na tentativa frustrada de determinar tal divisão, acabamos esquecendo que o grande público nem sempre faz essa leitura e aceita tudo que é veiculado pela TV como algo fixo e definitivo. Isso significa que tudo que está dentro de um telejornal seja informação de relevância, enquanto que os demais programas ficcionais sejam mera criação de seus idealizadores.

Essas diferenças ficaram bastante nítidas num trabalho produzido na Universidade Estadual de Londrina, num seminário que foi chamado de Jornada de Mídia-Educação. O encontro reuniu 20 estudantes de licenciaturas, ou seja, professores em formação, atuando juntamente com profissionais da comunicação. Como case, foram explorados 40 programas televisivos das quatro maiores redes de TV do Brasil – Globo, Record, Band e SBT. A intenção foi entender a forma como esses mesmos estudantes absorviam as informações transmitidas, afinal, são eles que irão trabalhar diretamente na formação do olhar cultural das crianças e jovens do país.

A escolha pela televisão surgiu em função de sua disseminação – segundo dados de 2001, 87% dos lares brasileiros possuem pelo menos um aparelho televisor. Além disso, é o meio de comunicação de massa que oferece mais recursos para atingir aos espectadores. Assim, o seminário pretendeu analisar o nível de compreensão das mensagens por parte de um grupo que se supõe ter uma carga cultural relativamente importante. Os resultados, no entanto, não foram muito animadores e só comprovaram a tese da dificuldade em separar jornalismo de entretenimento, já que, segundo Edgar Morin, os programas de televisão são apresentados seguindo uma alternância entre ficção e realidade. Isso percebe-se diariamente: após um telejornal aparece uma novela e assim por diante. Esse é o fator que mais chama a atenção, uma vez que essa mistura de linguagem distorce as mensagens transmitidas. O indivíduo receptor acaba aceitando de forma confusa as mensagens televisivas. O puro jornalismo não é mais uma garantia dos programas jornalísticos, que também sentiram a necessidade de oferecer atrativos maiores ao público.

Dentro da pesquisa realizada com os professores em formação, percebeu-se que não há, inicialmente, uma clareza nos conceitos de jornalismo e entretenimento, e, posteriormente, surge uma confusão natural de percepção. Tanto que, em alguns casos, houve o mesmo tratamento dado a programas como o Jornal Nacional e o Vídeo Show – ambos da Rede Globo, mas que são de naturezas distintas. Com isso, percebe-se que o público não está pronto para encarar essas diferenças e semelhanças intrínsecas aos produtos televisivos.
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Por isso, toda essa situação criada por uma natural evolução das tecnologias e da atividade de comunicação de massa, nós comunicadores devemos trabalhar em sintonia com os educadores, no sentido de fazer da televisão um instrumento de cultura e informação, além do necessário divertimento, como consta no Artigo 221 da Constituição Federal. Um meio com tantas potencialidades como a televisão não pode ser utilizada apenas como um canal de diversão, sem carga cultural nem informacional. Cabe a nós esse desafio. A nós e a todos que almejam uma sociedade mais culta, informada e consciente da capacidade que a televisão nos oferece.

*Mateus Rodighero é aluno formando do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Comunicação e Educação nas discussões acadêmicas
Por Samara Kalil*

No texto Comunicação e Educação, publicado em setembro de 2001, pelas autoras Ana Carolina Soares Duarte, Beatriz Bortoldi e Cibele Scandelari, no XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação, tem-se uma introdução acerca das ligações entre educação e comunicação, construindo uma série de argumentos sobre os seus possíveis reflexos sociais. As autoras descrevem que ambas as ciências – educação e comunicação - possuem ligações muito importantes, principalmente, quando se salienta a educação, como sendo a interação entre o educador e o educando, e a comunicação como sendo troca de mensagens entre duas ou mais pessoas.

No entanto, a pertinência das discussões acerca do tema educação-comunicação, se dá em razão da produção de mensagens das telecomunicações, tendo em vista que a educação tem como base a comunicação. Procura-se assim, um meio termo para o trabalho do professor dentro de sala de aula tendo como aliado o uso das tecnologias comunicacionais.

Para tais reflexões, as autoras propõem uma breve descrição histórica dos processos de comunicação. Destacam as comunicações orais, passando pela tipográfica, pelo surgimento da imprensa, pelos novos aparelhos eletrônicos, pela manipulação das massas, chegando assim, no nosso tempo, o tempo em que a Internet protagoniza as mudanças de comportamento e até caracteriza um certo isolamento social.

Contudo, a perspectiva histórica remetida aos meios de comunicação de massa (MCM), prova que esses sempre representaram uma ameaça à sociedade, independentemente de terem sido criados com boas ou más intenções. Portanto, tais desconfianças em relação aos MCM, fazem com que questionamentos sobre os perigos e intenções dos meios de comunicação, em especial, no período da infância e adolescência, fiquem cada vez mais em voga.

Na concepção das autoras, a presença das crianças nas salas de aula, tendo uma educação do bom senso, do bom gosto e do senso crítico fariam delas sujeitos plurais, entendedores e autônomos no momento de apreensão das mensagens dos meios. Entretanto, a realidade brasileira e até mesmo mundial, não é esta. Nos anos 70, por exemplo, os jovens foram educados lendo. Já nos anos 80 e 90, os jovens foram criados assistindo televisão, o que possibilitou uma unificação e mastificação dos valores. O que acontece então, é uma competição entre a escola e a televisão, como se essas fossem adversárias competindo a atenção das crianças.

As reflexões do texto tomam sentidos cada vez mais aprofundados, quando as autoras dizem que, em razão de termos um mundo dominado pelas mensagens verbo-icônicas, necessitaríamos de uma nova escola. Tal afirmação cabe principalmente a questão de que não é mais unicamente a televisão que compete à atenção. Tem-se agora, a Internet, que apesar de benéfica aos seus usuários também pode apresentar-se como alienante. Essa nova escola deveria estar em constante interação com a sociedade, principalmente no quesito adequação.

As tecnologias estão hoje nas casas das pessoas, cabendo a escola mostrar um caminho para o desenvolvimento do senso crítico para interromper um movimento de alienação e unificação de idéias. Entretanto, de acordo com as autoras, apesar de ser papel da escola tornar acessíveis os saberes e habilidades modernas, a habilitação dos professores nessa acessibilidade e a participação familiar, também não devem ser excluídas.

Contudo, fica a questão: realmente há interesse público e estadual em querer que as pessoas sejam munidas de senso crítico e de conhecimentos modernos e tecnológicos?

*Samara Kalil é aluna formanda do curso de Jornalismo da UPF e atualmente cursa a disciplina de Comunicação e Educação, ministrada pela Prof. Bibiana Friderichs.